Pesquisar neste blogue

19 fevereiro 2026

O "emergir" do Parque das Merendas

Ver o parque das merendas "emergir" é sempre um alívio, especialmente depois de semanas debaixo de água.

A expectativa comum é de que a Junta de Freguesia proceda às necessárias reparações com a urgência possível.









15 fevereiro 2026

Sinais dos tempos

 

Helena Sacadura Cabral

Sinais dos tempos

— Desde que os americanos se lembraram de começar a chamar aos pretos "afro-americanos", com vista a acabar com as raças por via gramatical, isto tem sido um fartote pegado!
— As criadas dos anos 70 passaram a "empregadas domésticas" e preparam-se agora para receber a menção de "auxiliares de apoio doméstico".
— De igual modo, extinguiram-se nas escolas os "contínuos" que passaram todos a "auxiliares da acção educativa" e agora são "assistentes operacionais".
— Os vendedores de medicamentos, com alguma prosápia, tratam-se por "delegados de informação médica".
— E pelo mesmo processo transmudaram-se os caixeiros-viajantes em "técnicos de vendas".
— O aborto eufemizou-se em "interrupção voluntária da gravidez";
— Os gangs étnicos são "grupos de jovens";
— Os operários fizeram-se de repente "colaboradores";
— As fábricas, essas, vistas de dentro são "unidades produtivas" e vistas da estranja são "centros de decisão nacionais".
— O analfabetismo desapareceu da crosta portuguesa, cedendo o passo à "iliteracia" galopante.
— Desapareceram dos comboios as 1.ª e 2.ª classes, para não ferir a susceptibilidade social das massas hierarquizadas, mas por imperscrutáveis necessidades de tesouraria continuam a cobrar-se preços distintos nas classes "Conforto" e "Turística".
— A Ágata, rainha do pimba, cantava chorosa: "Sou mãe solteira..." ; agora, se quiser acompanhar os novos tempos, deve alterar a letra da pungente melodia: "Tenho uma família monoparental..." - eis o novo verso da cançoneta, se quiser fazer jus à modernidade implante.
— Aquietadas pela televisão, já se não vêem por aí aos pinotes crianças irrequietas e "terroristas"; diz-se modernamente que têm um "comportamento disfuncional hiperactivo".
— Do mesmo modo, e para felicidade dos "encarregados de educação", os brilhantes programas escolares extinguiram os alunos cábulas; tais estudantes serão, quando muito, "crianças de desenvolvimento instável".
— Ainda há cegos, infelizmente. Mas como a palavra fosse considerada desagradável e até aviltante, quem não vê é considerado "invisual". (O termo é gramaticalmente impróprio, como impróprio seria chamar inauditivos aos surdos - mas o "politicamente correcto" marimba-se para as regras gramaticais...)
— As putas passaram a ser "senhoras de alterne".
— Para compor o ramalhete e se darem ares, as gentes cultas da praça desbocam-se em "implementações", "posturas pró-activas", "políticas fracturantes" e outros barbarismos da linguagem.
— E assim linguajamos o Português, vagueando perdidos entre a "correcção política" e o novo-riquismo linguístico.
Estamos "tramados" com este 'novo português'; não admira que o pessoal tenha cada vez mais esgotamentos e stress.
Já não se diz o que se pensa, tem de se pensar o que se diz de forma 'politicamente correcta'.
Hoje não se fala português... linguareja-se!
(Helena Sacadura Cabral)

12 fevereiro 2026

As osgas em Portugal

Em Portugal continental ocorrem duas espécies de Osgas: a Osga-comum (Tarentola mauritanica) e a Osga-turca (Hemidacty lusturcicus). Clique sff aqui ou na imagem para ler mais !



30 dezembro 2025

A Ponte Rainha D. Amélia (Muge)

A ponte sobre o Tejo perto de Muge é a histórica Ponte Rainha D. Amélia, uma notável obra de engenharia ferroviária inaugurada em 1904, que ligava Porto de Muge (Cartaxo) a Muge (Salvaterra de Magos) e que, após a construção de uma nova ponte ferroviária ao lado, foi convertida para tráfego automóvel e pedonal, sendo hoje uma via de comunicação importante e com vista sobre o rio Tejo. 

29 dezembro 2025

Imposto Municipal sobre Imóveis (IMI) - O absurdo normalizado

Quem tem imóveis em seu nome (casas, garagens, lojas, entre outros) tem de pagar, todos os anos, o Imposto Municipal sobre Imóveis (IMI) à Autoridade Tributária e Aduaneira (AT).

A carta com o valor de IMI a pagar e dados de pagamento é enviada aos contribuintes até 30 de abril de cada ano, por correio postal ou através do sistema de notificações e citações eletrónicas.


O IMI é um imposto absurdo. E, pior do que isso, é um imposto injusto.
Taxa-se a terra que é nossa. Taxa-se a casa que é nossa. Ano após ano, cobra-se uma renda eterna sobre um bem que já foi pago, muitas vezes com décadas de trabalho, empréstimos e sacrifícios familiares.
Não é espaço público! Não é propriedade do Estado! É património privado, legítimo, adquirido legalmente! Ainda assim, o Estado comporta-se como se fosse senhorio. Um senhorio que nunca construiu, nunca manteve, nunca reparou, mas que aparece religiosamente todos os anos para cobrar.
Chamam-lhe imposto municipal. Mas o nome não disfarça o essencial: é uma penalização permanente por existir num lugar, por ter raízes, por não viver de passagem. Quem tem uma casa paga. Quem não tem, sonha. Quem já pagou tudo, continua a pagar. Uma penalização por não ser sem-abrigo. Uma forma cómoda de financiar por exemplo Festivais do Bacalhau cujos orçamentos envolvem verbas avultadas!
O mais revoltante é a naturalização deste abuso. Aceitou-se que possuir uma casa implica uma dívida eterna ao poder político local, mesmo quando esse poder falha, desperdiça, ignora e se afasta das pessoas que o sustentam. Mandato após mandato, escutar tornou-se um verbo esquecido.
Não se trata de recusar impostos. Trata-se de recusar o absurdo. Numa sociedade que se diz justa, a habitação não pode ser tratada como uma concessão temporária do Estado. Ter um tecto não é um privilégio tributável para sempre. É um direito.

O IMI não promove justiça fiscal. Promove dependência. E enquanto continuar a ser aceite como inevitável, continuará a ser aquilo que sempre foi: uma renda perpétua disfarçada de normalidade.
Mas se o estado... se as autarquias... se comportam como senhorios das nossas casas... também deviam assumir as obras que nelas venhamos a realizar...

Portugueses