Um jovem que diz ser filho de Salgueiro Maia tem actualmente 41 anos, é luso-americano e nasceu da paixão entre Salgueiro Maia e uma Açoriana.
Andrew Salgueiro Maia
Andrew Philip Salgueiro Maia é filho do tenente-coronel Fernando Salgueiro Maia, mas a Justiça portuguesa não o reconhece.
Dois anos depois de liderar o golpe militar que conduziu à Revolução de Abril, Salgueiro Maia - o ‘Capitão sem Medo' - roubava o coração de uma jovem açoriana emigrada nos Estados Unidos, que passava férias em São Miguel, para onde o militar fora transferido.
A relação durou dez anos. Dessa paixão, alheia ao casamento com Natércia - a esposa oficial, com quem adoptou duas crianças -, nasceu em 1985 um filho luso-americano, Andrew, que avançou com uma acção no tribunal de investigação de paternidade, na comarca de Santarém.
Um filho que cresceu em New Jersey com o nome de um pai que não era o seu mas sim o do companheiro da mãe, que conheceu como pai, e com quem conviveu até à separação do casal.
Nunca terão tido uma relação muito próxima, até porque este ‘pai emprestado' voltou para Portugal e o contacto passou a ser espaçado. A. só soube da verdade em 2008. "A mãe queria ter contado mais cedo quem era o pai verdadeiro, mas não conseguia arranjar coragem e foi adiando - chegou a pedir ao padrinho de Andrew para ser ele a contar a verdade.
Andrew cresceu a achar que Salgueiro Maia era um amigo da família - sabia as histórias da Revolução, mas quando soube a verdade passou um mau bocado, um momento complicado da sua vida.
Não se pode dizer que tenha ficado aborrecido com a mãe, mas ficou abalado com a notícia - choque deu lugar à vontade de repor aquilo que até então lhe fora negado, bem como uma certa alegria e orgulho nos apelidos Salgueiro Maia, que acrescentou ao nome mal conseguiu a nacionalidade portuguesa.
A batalha durou cinco anos no consulado americano e por isso só cinco anos depois de saber de quem é filho, avançou para tribunal. Salgueiro Maia conheceu o filho quando este tinha um ano e meio. Há uma fotografia que o prova (e que, aliás, faz parte do processo que corre em tribunal), em que segura ao colo o bebé que não reconheceu como seu "por ter uma relação muito sólida com a esposa e não a querer magoar" mas que carrega o seu ADN.
Ainda assim, quase três décadas depois do nascimento do filho ilegítimo, o caso tem tudo para ser pacífico entre as partes. Mal soube quem era o pai, Andrew viajou para Portugal para conhecer a viúva do pai, a Natércia, que até aí desconhecia a sua existência, mas que o recebeu bem. Na semana seguinte Andrew adicionou Catarina Salgueiro Maia (nascida em 1986, dois anos depois dele), a filha adoptiva do capitão ao seu Facebook. O casal Maia também adotou também Filipe, em 1989.
Quem conheceu o pai e agora conhece o filho garante não haver margem para dúvidas - é um cara do pai - desde o rosto, a voz, até a maneira de andar - só não fala português. O afastamento entre a mãe de Andrew, uma empresária do ramo da joalharia, e Salgueiro Maia já tinha sido antecipado por quem os conhecia - era uma relação pontual - só se encontravam nas férias, quando ela ia aos Açores, primeiro, e a Lisboa (depois de ele voltar para Santarém). Mas foi a grande paixão da vida da mãe do Andrew.
O jovem formou-se com distinção no Trinity College e esteve no quadro de honra nas disciplinas de Direito e Políticas Públicas e é actualmente responsável de marca numa empresa de marketing e publicidade e prepara-se para iniciar um MBA em Negócios e Administração.
Na sua página do Facebook, tem uma foto ao lado de Bill Clinton, ex-presidente americano. É ambicioso, como o pai foi, pertence àquela nova geração de americanos cujo caminho não passou pelo álcool, nem pelas drogas. Reclama a paternidade por integridade, por achar que tem direito a um pai, ao pai que lhe pertence por direito.
Apesar do teste de ADN ter confirmado a paternidade biológica, Andrew enfrenta uma longa batalha legal em Portugal para ser legalmente reconhecido como filho, uma vez que os tribunais rejeitaram o pedido com a justificação de que todos prazos previstos na lei para reclamar a filiação tinham sido ultrapassados.
Nos Estados Unidos, o caso não ofereceu qualquer dificuldade e desde 2008 que o requerente é, oficialmente, Andrew Philip Salgueiro Maia, conforme consta em todos os seus documentos pessoais.

