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29 setembro 2025

A Raposa matreira !

A RAPOSA QUE FOI AO GALINHEIRO

Um dia a Raposa, que rondava havia muito pela porta de um rico lavrador, dono de farta capoeira, descobriu nesta um buraco. Como o buraco era pequeno encolheu-se quanto possível, e, fazendo-se esguia, conseguiu caber por ele.

Ia só para estudar o caminho (pensava ela), e depois voltaria por lugar mais seguro e fácil.

Mas o mau foi apanhar-se lá dentro, pois assim que viu diante dos seus olhos as galinhas, galos, frangos, patos e perus, não teve mão na gula, deitou-se a eles e comeu, comeu, até se abarrotar.

No melhor da festa, quando estava que se não podia mexer, sentiu passos no pátio e quis fugir por onde entrara. Foi-lhe impossível! O buraco por onde coubera com a barriga vazia, não lhe deu passagem comela cheia a mais não poder, por grandes esforços que fizesse. Sentindo-se perdida, de que se há-de lembrar a grande manhosa? De fingir-se morta!

Deitou-se no meio do chão, muito estendida, com a língua entre os dentes, tal como se tivesse morrido de farta.

Quando o lavrador veio, de manhã, abrir a porta à criação, caiu-lhe a alma aos pés.

Os pobres animais que a gulotona não comera, matara-os e deixara-os de lado. Cheio de raiva ia para lhe dar uma paulada, gritando:

  Ah grande marota que estrago me fizeste na capoeira!...

Mas, tocando-lhe com o pé, imaginou-a já morta e, em vez de lhe bater, agarrou-lhe pelas pernas e atirou-a para a horta, dizendo:

 Tanto comeste que arrebentaste! Foi bem feito! Fica-te para aí, que logo te enterro, malvada!

A espertalhona, logo que se viu fora da capoeira, deu um pulo, e pernas para que te quero! Aquilo, foi fugir, campos fora, que nunca mais lhe puseram a vista em cima.

Então o lavrador jurou a si mesmo nunca mais se fiar em pessoas intrujonas, nem mesmo quando parecessem mortas.

Ana de Castro Osório

Medir com as mãos

Como medir com as mãos

 

18 setembro 2025

Quem anda de moto ou bicicleta ! Atenção !

O QUE SÃO OS ÂNGULOS MORTOS ?

São zonas invisíveis ao condutor, mesmo com o uso dos espelhos, devido ao tamanho do veículo. São particularmente perigosas para os outros utilizadores da estrada, particularmente ciclistas, motociclistas e peões, pois podem não ser vistos pelo motorista de um veículo pesado ou, em alguns casos, mesmo de um ligeiro.


MINHA NOITE, MEU DIA




MINHA NOITE, MEU DIA
RIBATEJO

 Rolando na estrada atenta
Desfaço a distância que resta
Da minha casinha modesta
Na aldeia, que espera e acalenta
Meus sonhos de um dia voltar
Que hoje eu procuro acertar
Num dia de folga, apenas
Faço acrescentar o meu tempo
Na noite que oferece mecenas
Ao meu descansado alento,
Já noite, a reconfortante calma
Do pequeno quarto, onde me deito.

E quando desperto renovada, como a aurora,
Onde escuto os cães vadios,
Guardiões do nada em alerta,
Refletem os movimentos,
Anunciam, a manhã que desperta,
Com um incessante pilpirrear, em crescente
Dos passaritos, que saúdam quem lá mora
Ali por perto, as rolas nas oliveiras,
Me encantam com seu arrulhar  
E na saudade, deste meu estar ausente
Eu vou pensando, saboreando,
Cada momento do presente,
Eu vou apreciando a minha vida,
E tudo o que nela conto, nesta hora.

Um pouco mais, e já o sol está a raiar
Um pouco mais, já eu me vou levantar
Abrindo as minhas portas, par a par
Eu olho o céu, saúdo a minha manhã
As minhas plantas do quintal, eu vou espreitar
Nas orvalhadas, refresco-me em vida sã
Com as minhas mãos na terra,
Arranco urtigas, e muitas ervas daninhas,
Que crescem assim sem parar.

Meus lírios brancos floriram,
Mostrando o chegar, de radiosa primavera,
E as minhas camélias brilhando,
Entre gotas e pérolas de orvalho,
Na linda cor, de rubra e madura romã,
Voam as flores dos pessegueiros,
Voando… como se fossem leve quimera.

Giestas, alecrins e rosmaninhos,
Entregam-se, ás abelhas em seu afã
Os legumes, em canteiros alinhados,
Crescem, em cada semana a passar,
Amadurecem, pelos meus carinhos afagados.

E mal começou, ou bem começou meu dia,
Em pequeno-almoço de doces aromas
Nos pequenos mimos, de um dia especial
Na saudação a quem está próximo, em alegria
Ou alguém anónimo, encontrado ao caminhar,
Nas fotos que se fazem, para um dia recordar.
Já a fogueira que se ateia, para o churrasco fazer,
Com a mesa no alpendre, para ali mesmo comer
Os tomates e alfaces, ainda na terra a crescer
No meu quintal de regalos, que eu olho com prazer.

O repasto de um almoço, bem diferente e prazeroso,
Onde se integra a diferença, de mais sabor e odor
Onde o descanso da sésta, e num relaxe amoroso
Vai chegando a tarde calma, em passeio de namoro
Vai assim fugindo a folga, no seu sentido valor
Chega a hora de pensar, no regresso á cidade
Já são horas do jantar, pois já está a anoitecer
Hora ainda para pensar, sentindo alguma vaidade.
E nesta avaliação total, pode até haver cansaço!...
A fasquia ficou alta, de tudo o que quero fazer
São dias num caminhar, atrás de um, outro passo
Atrás da noite, outro dia, vivido com muito prazer.

UM POEMA DE LÍDIA FRADE

Ciclismo na aldeia






17 setembro 2025

Cede a Filosofia à Natureza

 


Cede a Filosofia à Natureza


Tenho assaz conservado o rosto enxuto
Contra as iras do Fado omnipotente;
Assaz contigo, ó Sócrates, na mente,
À dor neguei das queixas o tributo.

Sinto engelhar-se da constância o fruto,
Cai no meu coração nova semente;
Já me não vale um ânimo inocente;
Gritos da Natureza, eu vos escuto!

Jazer mudo entre as garras da Amargura,
D'alma estóica aspirar à vã grandeza,
Quando orgulho não for, será loucura.

No espírito maior sempre há fraqueza,
E, abafada no horror da desventura,
Cede a Filosofia à Natureza.

Bocage, in 'Rimas'

Noite de Fados na aldeia

 Noite de FADOS no Restaurante/Café Sabores com Música em Raposa


 

16 setembro 2025

14 setembro 2025

Evolução da população da aldeia desde o século XIX


ALDEIA DA RAPOSA – ÚLTIMO CENSO (2021)

Densidade populacional

7,60 hab / km2

Média de idades

52,22

Total de habitantes

497

H   232

M   265

 

Jovens  27

Crianças 49

Taxa de analfabetismo

H   6,88

M  11,57

Ensino superior completo

37

Casais sem filhos

90

Casais com filhos

74



Evolução da População da Freguesia de Raposa

ANO

Nº HABITANTES

PERCENTAGEM

1864

360

 -

1878

388

+ 7,8 %

1890

538

+ 38,7 %

1900

630

+ 17,1 %

1930

1176

 -

1940

1568

+ 33,3 %

1950

1954

+ 24,6 %

1960

951

- 51,3 %

1970

681

- 28,4 %

1981

669

- 1,8 %

1991

615

- 8,1 %

2021

497

 -


11 setembro 2025

Como escolher melão !

Fruto refrescante e saboroso, o melão é rico em água, fibras e vitaminas.

•   Hidratação poderosa: cerca de 90% da composição é água

•   Rico em potássio: ajuda a controlar a pressão arterial

•   Poucas calorias: óptimo aliado para quem busca perder peso

•    Vitaminas A e C: fortalecem o sistema imunológico e a saúde da pele


Originário da África Central, começou a ser produzido pelos países asiáticos e da América do Norte, depois de Cristóvão Colombo ter levado a semente, no século XV.

Os romanos eram apreciadores do melão e foram dos primeiros a trazê-los para a Europa com sementes oriundas da África Central e Egipto, o que originou, séculos mais tarde, uma produção intensiva em Portugal, Espanha e Itália e já aparecia nas pinturas egípcias de 2.500 a.c.

Actualmente, é na Ásia que mais se cultiva, particularmente na China, mas também na Turquia, Irão e países da América do Sul.


Cultivo em casa ou na horta

Semeadura em solo bem drenado e rico em matéria orgânica.

Rega: frequente, mas sem encharcar — o melão gosta de calor e sol.

Colheita: cerca de 90 dias após a germinação, quando o aroma estiver intenso e a casca começar a amarelar.

🍈Os dois principais períodos para propagar a semente são:

Finais de março - fruto colhido em junho;

Princípios de maio - fruto colhido em setembro.

Assim que começam a crescer, os meloeiros estendem as suas raízes pelo terreno e nessa altura deve “capar” os melões para que estes produzam mais rebentos. O terreno onde os meloeiros vão crescer de ve ser espaçoso, o solo deve ter pH alcalino, ser profundo, bem drenado e bastante fértil.

Uma dica útil é deixar crescer apenas um melão por haste, pois favorece o desenvolvimento e intensifica a sua qualidade.

🍈Manutenção e Cuidados com o Meloeiro

O meloeiro é muito sensível a pragas e insectos, pelo que deve fazer uma manutenção regular.

🍈Os principais cuidados são:

Semear em terrenos solarengos e ventilados;

Regar apenas quando necessário;

Sachar e fertilizar o terreno frequentemente;

Protegê-los de possíveis geadas.

🍈Quando é que o Melão pode ser Colhido?

A melhor altura para começar a colher os melões é quando as folhas junto ao pedúnculo começam a secar ou quando o próprio pedúnculo se parte.


Melão grelhado com mel e noz

Ingredientes (para 2 pessoas):

1 melão branco do Ribatejo (maduro, mas firme)

2 colheres de sopa de mel (preferencialmente de rosmaninho ou laranjeira)

30 g de miolo de noz picado grosseiramente

Hortelã fresca para decorar

Opcional: uma bola de gelado de nata ou iogurte natural

Preparação:

1. Corte o melão em fatias grossas (com ou sem casca, conforme a preferência). Retire as sementes.

2. Grelhar: Aqueça uma grelha ou frigideira antiaderente. Grelhe as fatias por 2–3 minutos de cada lado até surgirem marcas douradas.

3. Finalizar: Disponha as fatias num prato. Regue com mel ainda quente e salpique com as nozes.

4. Servir: Decore com folhas de hortelã e, se quiser, adicione uma bola de gelado ao lado para contraste.

É uma sobremesa que junta a frescura do melão, o calor da grelha e o perfume do mel.


08 setembro 2025

A máquina multibanco da aldeia (2)

Ela voltou. Ela funciona. Ela é nossa.

Ah, o regresso triunfal da máquina multibanco — quase digno de uma festa na praça! 🎉

Num mundo onde levantar dinheiro pode ser uma verdadeira odisseia rural, esse pequeno milagre tecnológico volta a cumprir o seu papel de herói local. Já se ouvem os suspiros de alívio dos que não terão de fazer quilómetros até Almeirim  só para pagar uma conta, levantar dinheiro ou carregar o telemóvel.

06 setembro 2025

Prova do Arroz Doce na Raposa - um verdadeiro festival de sabores e tradição!

Foto: Junta de Freguesia de Raposa

Organizada pela Junta de Freguesia local realizou-se hoje na Casa da Cultura da Freguesia mais uma Prova de Arroz Doce da aldeia da Raposa, uma celebração da identidade local, da gastronomia e da comunidade.

Foto: Kury

Foto: Kury

Para além de muita alegria, animação e comes & bebes, os presentes tiveram o privilégio de assistir à actuação de Custódio Castelo

Vídeo: Kury


Receita de Arroz Doce da Raposa – Receita Tradicional com Toque Regional

Ingredientes:

1 chávena de arroz carolino, de preferência da região
1½ chávena de água
1 pitada de sal
2 cascas de limão (de preferência da região)
1 pau de canela
1 litro de leite gordo (preferencialmente fresco)
1 colher de sopa de manteiga
200 g de açúcar
3 gemas de ovo
Canela em pó para decorar
Opcional: um toque de erva-doce ou raspa de laranja para dar um aroma único

Modo de preparo:

1. Coze-se o arroz com a água, o sal, a casca de limão e o pau de canela. Deixa-se ferver até a água ser absorvida.
2. Junta-se o leite quente e a manteiga. Mexe-se sempre em lume brando até o arroz ficar bem cremoso.
3. Adiciona-se o açúcar e continua a mexer-se por mais 10 minutos.
4. À parte, batem-se as gemas com um pouco do arroz quente (para temperar) e junta-se ao tacho, mexendo vigorosamente para não talhar.
5. Cozinha-se por mais 2–3 minutos e retira-se do lume.
6. Serve-se em travessas ou taças, polvilhado com canela em pó — pode-se desenhar uma espiga de arroz ou o brasão da Raposa com a canela, como fazem em algumas festas locais.



A ELECTRICIDADE